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Polícia Federal prende bicheiro, ex-presidente da Alerj e pastor em nova fase de operação no Rio

Imagem gerada com IA
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne, marcando um novo capítulo na investigação de lavagem de dinheiro e corrupção no estado do Rio de Janeiro. A ação resultou em mandados de prisão para figuras proeminentes da contravenção, da política e até do meio religioso, evidenciando a complexidade e a abrangência dos esquemas investigados.

Entre os alvos dos mandados de prisão estão o conhecido contraventor do jogo do bicho, Adilson Oliveira Coutinho Filho, popularmente chamado de Adilsinho; o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar; e o empresário e pastor Márcio Poncio. Além das prisões, um mandado de busca e apreensão foi cumprido contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Operação Unha e Carne: Novas Prisões e o Alvo da Polícia Federal

A quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, tem como objetivo central aprofundar as apurações sobre indícios de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a investigação mira práticas atribuídas ao chefe da nova cúpula do jogo do bicho e a uma possível ramificação desse esquema com integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio de Janeiro. A corporação informou que as investigações prosseguem com a análise minuciosa do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores envolvidos no esquema criminoso.

Adilsinho: O Contraventor e suas Múltiplas Acusações

O contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, já estava sob custódia desde fevereiro de 2026, quando foi detido em sua residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Naquela ocasião, ele era considerado foragido da Justiça Federal e procurado pela Justiça estadual, sendo encontrado por agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (Ficco/RJ) e da Polícia Civil do estado (PCERJ), com apoio do Ministério Público Federal (MPF).

Adilsinho é apontado como um dos líderes da nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, além de ser investigado como mandante de homicídios e o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. Em junho de 2023, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) decretou outra prisão preventiva contra ele, desta vez pela morte do policial penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, ocorrida no Recreio dos Bandeirantes. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também denunciou o ex-policial militar Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como “Sem Alma”, e Jefferson Rodrigues da Silva, o “Jefe”, no mesmo caso.

A defesa de Adilsinho, por meio do advogado Ricardo Braga, rechaçou a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos, afirmando confiar no Poder Judiciário e no devido processo legal. Sobre o acúmulo de decretações de prisões, Braga declarou que só poderá se manifestar após ter acesso aos autos.

Figuras Políticas e Religiosas Sob o Cerco da PF no Rio

O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi detido no Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, e levado à Superintendência da Polícia Federal na região portuária do Rio. Espera-se que ele seja transferido para uma unidade do sistema penitenciário federal. A Agência Brasil tentou contato com a defesa de Bacellar, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.

Já o pastor e empresário Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira em um flat na Praia da Barra da Tijuca. A defesa do pastor também não foi localizada para comentar o caso. A inclusão de figuras com perfis tão distintos – da política e da religião – nos alvos da operação sublinha a amplitude das conexões investigadas pela Polícia Federal.

No caso do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, que foi alvo de mandado de busca e apreensão, sua defesa, representada pela advogada Patrícia Proetti, negou qualquer envolvimento com organizações criminosas. Em nota, Proetti afirmou que Cabral nega categoricamente participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de valores de origem ilícita, e que ele permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

A Rede de Lavagem de Dinheiro e a Conexão com Agentes Públicos

As investigações da Polícia Federal tiveram início após a apreensão de listas em poder do contraventor Adilsinho. Esses documentos, segundo a PF, indicavam a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade vinculada à lavagem de capitais. O que mais chamou a atenção dos investigadores foram os apontamentos de possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado do Rio de Janeiro, sugerindo uma teia complexa de corrupção e influência.

A Operação Unha e Carne, em sua quinta fase, reforça o compromisso das autoridades em desmantelar esquemas de crime organizado que se infiltram em diversas esferas da sociedade, desde a contravenção até os mais altos escalões do poder público. A repercussão dessas prisões e buscas é significativa, pois atinge figuras conhecidas e levanta questionamentos sobre a integridade de instituições e a extensão da corrupção no cenário fluminense. A análise do material apreendido será crucial para desvendar a totalidade da rede criminosa e seus beneficiários.

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