Terra FM 98.5 Ao Vivo

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Pesquisa da PUCPR avança com células-tronco mesenquimais contra complicação de transplante de medula

Imagem gerada com IA
Imagem gerada com IA

Em um avanço significativo para a medicina regenerativa no Brasil, pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão desenvolvendo uma terapia inovadora que promete transformar o tratamento de uma das mais graves complicações pós-transplante de medula óssea. O estudo, focado na utilização de células-tronco mesenquimais, já demonstra resultados promissores no controle da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH), uma condição que pode ser fatal para muitos pacientes.

A DECH representa um desafio complexo no cenário dos transplantes. Ela ocorre quando as células imunológicas presentes na medula doada, essenciais para a recuperação do paciente, identificam o organismo do receptor como um invasor e iniciam um ataque. Essa reação pode se manifestar de duas formas: a aguda, que surge nos primeiros 100 dias após o procedimento, e a crônica, que pode se desenvolver anos depois.

A complexidade da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH)

Os sintomas da DECH variam conforme sua manifestação e gravidade. Na forma aguda, as regiões mais frequentemente afetadas são a pele e o sistema gastrointestinal, causando vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas intensas e disfunção hepática. Já a DECH crônica pode ser mais abrangente, impactando múltiplos órgãos e sistemas, e em casos severos, pode levar à rigidez dos movimentos, dificuldades respiratórias e ao surgimento de úlceras, comprometendo seriamente a qualidade de vida do paciente.

Atualmente, o tratamento padrão para a DECH envolve o uso de corticosteroides, que atuam na redução da inflamação causada pelo ataque imunológico. Embora eficazes para muitos, uma parcela considerável de pacientes desenvolve resistência a esses medicamentos de primeira linha, necessitando de alternativas mais agressivas, como outros corticosteroides ou imunossupressores. Além disso, a disponibilidade de todos os medicamentos recomendados no Sistema Único de Saúde (SUS) nem sempre é garantida, o que acentua a busca por novas abordagens terapêuticas.

MesenCell: A inovação brasileira com células-tronco mesenquimais

É nesse contexto que surge o MesenCell, a terapia desenvolvida pela PUCPR, que representa uma alternativa inédita no Brasil. Diferente dos tratamentos convencionais, o MesenCell emprega células-tronco mesenquimais, que são coletadas da medula óssea de doadores, processadas em laboratório e mantidas congeladas até o momento da aplicação. Esta abordagem visa atuar na raiz da doença, modulando a resposta imunológica do paciente.

A coordenadora do projeto e responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, explica a mecânica por trás da terapia. “Quem ataca principalmente são as células do tipo T e B, e a nossa terapia diminui a proliferação dessas células. É um efeito que a gente consegue ver até em laboratório. Então, ela atua na base, liberando alguns fatores solúveis que vão modular todo o sistema imunológico do paciente, diminuindo a proliferação dessas células e melhorando toda a inflamação”, detalha Rebelatto.

A principal indicação para o MesenCell seria para pacientes que não respondem aos tratamentos tradicionais ou que não podem utilizá-los devido à sua toxicidade. A expectativa é que essa terapia possa preencher uma lacuna importante, oferecendo uma nova esperança para aqueles que enfrentam as formas mais severas e refratárias da DECH.

Resultados promissores e a próxima fase dos testes clínicos

Os resultados de um estudo-piloto inicial, que envolveu 11 pacientes com DECH crônica, já são bastante encorajadores. Utilizando uma formulação das células-tronco mesenquimais, metade dos participantes apresentou remissão completa da doença. Mais notavelmente, a terapia demonstrou uma melhora de 75% nos comprometimentos gastrointestinais e uma impressionante remissão de 100% dos sintomas de pele, mesmo nos casos mais graves.

Carmen Rebelatto destaca um dos impactos mais significativos: “Esses pacientes desenvolvem esclerodermia, uma deposição de fibroblastos na pele, e ela fica endurecida, como se fosse uma carapaça, e aí o paciente vai perdendo mobilidade. A gente conseguiu reverter esse processo”. Essa reversão representa um ganho substancial na qualidade de vida e na autonomia dos pacientes.

Com base nesses dados positivos, o grupo de pesquisa está se preparando para uma nova fase de testes clínicos, que terá início em setembro. Este novo estudo envolverá 20 pessoas e utilizará uma mistura de células-tronco que se mostrou ainda mais viável. Os testes serão conduzidos em três importantes centros de referência no Paraná: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças.

A pesquisa conta com o apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo a longo prazo é estabelecer parcerias com empresas farmacêuticas para viabilizar a produção do medicamento em larga escala, tornando-o acessível a um número maior de pacientes que necessitam dessa terapia inovadora. Para mais informações sobre avanços na saúde, clique aqui.

A busca por tratamentos mais eficazes para condições complexas como a DECH é contínua e essencial para a saúde pública. O trabalho da PUCPR com células-tronco mesenquimais não apenas oferece uma nova perspectiva para pacientes de transplante de medula, mas também reforça o papel do Brasil na vanguarda da pesquisa científica. Continue acompanhando o Região 5 News para ficar por dentro das últimas notícias, análises aprofundadas e informações relevantes que impactam o seu dia a dia e o futuro da nossa sociedade, com a credibilidade e a variedade de temas que você já conhece.

Leia mais

PUBLICIDADE