A arte capixaba ganha um novo e importante canal de acesso com o lançamento do livro “Restauração e digitalização de obras de arte do Museu Atelier Homero Massena”. A publicação, que reúne 37 trabalhos do acervo da instituição, incluindo cinco pinturas restauradas e outras 32 digitalizadas, já está disponível gratuitamente em formato digital. Esta iniciativa representa um marco na preservação e difusão do patrimônio cultural do Espírito Santo, democratizando o acesso a um dos mais relevantes museus do estado.
O livro pode ser acessado sem custo pelo perfil MAHM Digital no Instagram e será, em breve, incorporado à Midiateca Capixaba, ampliando ainda mais seu alcance. O lançamento oficial ocorreu em uma cerimônia na última quarta-feira (9), no próprio Museu Atelier Homero Massena, localizado na Prainha, em Vila Velha. Na ocasião, exemplares impressos foram distribuídos ao público presente e cópias adicionais serão doadas a bibliotecas públicas da Grande Vitória, garantindo que o material chegue a diversos segmentos da sociedade.
A importância das obras digitalizadas para a cultura
Mais do que um simples catálogo, a publicação oferece um mergulho profundo na história e no processo de conservação do acervo. Além das 37 obras, o livro traz textos informativos sobre a vida e a obra de Homero Massena, a trajetória da casa-museu e os detalhes técnicos do minucioso processo de conservação e restauração das peças. Este material é fundamental para estudantes, pesquisadores e amantes da arte, que agora têm à disposição um recurso valioso para estudo e apreciação.
O acervo digitalizado não se restringe apenas às criações de Homero Massena. Ele contempla também trabalhos de outros artistas renomados que compõem a coleção do museu, como Adelina (Edy) Massena, Álvaro Conde, D’Paiva, Levino Fanzeres, Homero Nascimento, Celina Rodrigues, Marina Caldeira, Helios Seelinger, Taneco e Lao Warchalowski. Essa diversidade enriquece o panorama artístico apresentado e destaca a relevância do museu como guardião de um patrimônio plural.
Para o secretário municipal de Cultura, Felipe Marques Fonseca, a iniciativa é um exemplo da união entre a preservação física e a ampliação do acesso. “Ao mesmo tempo em que cuidamos das obras originais, criamos novas possibilidades para que esse patrimônio chegue a estudantes, pesquisadores e outros públicos. A restauração preserva a materialidade das peças, enquanto a digitalização amplia sua circulação”, destacou o secretário, ressaltando o duplo benefício do projeto.
O meticuloso processo de restauração e conservação
Um dos pilares do projeto foi a restauração de cinco pinturas cruciais do acervo: “Lavadeiras”, “Flamboyant”, “Carnaval desce o morro”, “Volta da praia” e “Venda Nova – MG”. Essas obras, que retornaram ao museu em etapas entre janeiro e agosto, apresentavam diversos desafios. Entre eles, sujidades superficiais, vernizes oxidados, craquelês, pequenas perdas da camada pictórica, deformações dos suportes e sinais de intervenções anteriores que necessitavam de revisão.
O trabalho de restauração, conduzido pelo conservador-restaurador Idésio José Fim Francischetto, foi um processo minucioso. Incluiu etapas como limpeza profunda, consolidação de áreas com risco de desprendimento da tinta, tratamento dos suportes para garantir a estabilidade, remoção ou redução de vernizes amarelados que alteravam as cores originais, reintegração cromática para preencher lacunas e a aplicação de uma proteção final para salvaguardar as pinturas contra novas degradações.
Detalhes específicos, como a remoção e substituição de reentelamentos antigos que estavam se desprendendo em “Lavadeiras” e “Volta da praia”, demonstram a complexidade e o cuidado exigidos. A manutenção de chassis e molduras também fez parte do escopo, garantindo a integridade completa das obras. A museóloga e curadora do acervo, Flávia Fernandes Torres, enfatizou que a digitalização em alta resolução permite novas possibilidades de pesquisa e documentação, reduzindo significativamente a necessidade de manuseio das obras físicas.
Colaboração e futuro do patrimônio cultural
A concretização do MAHM Digital foi possível graças a um esforço conjunto, financiado por meio do Edital nº 18/2024 – Seleção de Projetos de Preservação e Difusão de Acervos na Midiateca Capixaba, da Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo (Secult). Os recursos vieram do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura, com apoio institucional da Prefeitura de Vila Velha.
A coordenadora geral do projeto, Aline Lima Pereira, destacou o caráter duradouro do livro. “A publicação reúne o percurso desenvolvido ao longo do projeto, desde a restauração até a digitalização das obras. É um material que permanece para o museu, para pesquisadores e para o público”, afirmou. Com a restauração das cinco pinturas, a digitalização das 37 obras e a publicação do catálogo, o projeto concluiu com êxito todas as etapas de conservação, documentação e difusão previstas, deixando um legado valioso para a cultura capixaba.
Para o Região 5 News, é fundamental acompanhar iniciativas que valorizam e tornam acessível o patrimônio cultural de nossa região. Convidamos você a explorar este livro digital e a continuar acompanhando nosso portal para mais notícias, análises e reportagens aprofundadas sobre cultura, educação, política e tudo o que impacta sua vida. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, sempre buscando a credibilidade e a variedade de temas para manter você bem informado.