A ginástica artística brasileira celebra um marco importante no cenário internacional: as seleções masculina e feminina garantiram suas vagas para o Campeonato Mundial da modalidade, que será realizado entre os dias 17 e 25 de outubro, em Roterdã, na Holanda. A classificação foi assegurada durante o Campeonato Pan-Americano, sediado no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, um evento que se estendeu até o domingo, 21 de junho, e marcou o aguardado retorno da campeã olímpica Rebeca Andrade às competições após um hiato de 20 meses.
A conquista dessas vagas não apenas reafirma a força do Brasil na ginástica artística, mas também posiciona o país em um caminho promissor rumo aos próximos desafios olímpicos. O Pan-Americano no Rio de Janeiro foi um palco de emoções, com a torcida vibrando a cada movimento e os atletas demonstrando resiliência e talento em busca de seus objetivos.
A volta triunfal de Rebeca Andrade e o brilho individual
O retorno de Rebeca Andrade, um dos maiores nomes da ginástica artística mundial, foi um dos pontos altos do Campeonato Pan-Americano. Após 20 meses afastada das competições, a ginasta de 27 anos demonstrou que a pausa não diminuiu seu brilho. Ela alcançou a melhor pontuação no salto, com uma média impressionante de 14.459 pontos, resultado de uma primeira tentativa com 14.533 e uma segunda com 14.166. Esse desempenho a classificou para a final do aparelho, que ocorreu no domingo.
A emoção de Rebeca era palpável. “Consegui voltar no alto nível de novo. Mesmo sem ter feito os meus dois saltos mais difíceis, é algo que me orgulha bastante”, afirmou a atleta, que já possui ouros nos Jogos de Tóquio e Paris, consolidando-se como a maior medalhista olímpica brasileira. Ela também expressou sua gratidão pelo apoio da torcida: “Ter toda essa torcida foi maravilhoso, senti todo esse carinho, senti todo esse calor, aquele friozinho na barriga que fazia um tempo que eu não sentia”, em depoimento à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).
Além de Rebeca, outros talentos brasileiros brilharam individualmente. No feminino, Gabriela Bouças e Sophia Weisberg se classificaram para as finais das barras assimétricas. Thais Fidélis e Julia Soares, que obtiveram as duas melhores notas do aparelho, disputaram as finais da trave. Sophia e Thaís também garantiram presença na final do solo, além de competirem por medalhas no individual geral. No masculino, Diogo Soares e Vitaliy Petrov foram os representantes brasileiros nas disputas do individual geral. Diogo ainda se classificou para as finais por aparelho do cavalo com alças, das barras paralelas (junto com Caio Souza) e da barra fixa (com Arthur Nory). Vitaliy, por sua vez, buscou um lugar no pódio no solo.
Força coletiva: a jornada das equipes rumo ao Mundial
A classificação para o Mundial de Roterdã foi um esforço coletivo notável. No feminino, a seleção brasileira conquistou a medalha de prata com um total de 157.796 pontos. A equipe dos Estados Unidos levou o ouro (161.628 pontos), enquanto o Canadá (156.997) completou o pódio. Argentina (154.397) e México (151.096) também asseguraram suas vagas para o Mundial, demonstrando a competitividade da região.
Já a seleção masculina de ginástica artística garantiu a última vaga mundialista ao ficar na quarta colocação. Com 234.927 pontos na somatória dos aparelhos, o Brasil mostrou sua garra, ficando atrás de Canadá (243.026), Colômbia (241.594) e Estados Unidos (235.961), que ocuparam o pódio. A conquista foi motivo de celebração entre os atletas, que focaram na estratégia de equipe.
“Estávamos o tempo inteiro pensando na composição da equipe para conseguirmos essa vaga para o Mundial, e agora ela é nossa. Fizemos nossa parte”, destacou Arthur Nory, medalhista de bronze no solo na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, em declaração à assessoria de imprensa da CBG. A união e o planejamento foram cruciais para o sucesso de ambas as equipes.
De olho em Los Angeles 2028: um ciclo olímpico promissor
A participação no Campeonato Mundial de Roterdã é um passo fundamental no ciclo olímpico que culminará nos Jogos de Los Angeles, em 2028. O Mundial classifica diretamente as três melhores equipes masculinas e as três melhores femininas para a próxima Olimpíada, tornando a competição na Holanda um evento de alta importância estratégica.
O Brasil vem de um período de grande ascensão na ginástica artística, com a histórica medalha de bronze conquistada pela equipe feminina nos Jogos de Paris, em 2024. O quinteto responsável por esse feito inédito era composto por Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Júlia Soares e Lorrane Oliveira. A classificação para o Mundial de 2026 demonstra a continuidade e o fortalecimento dessa geração de atletas, que segue inspirando e elevando o nome do país no esporte global.
Para mais detalhes sobre as competições e o desempenho da delegação brasileira, acompanhe as atualizações da Agência Brasil.
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