A gigante petroleira norte-americana ExxonMobil expressou seu forte desejo de ser um ator central no próximo ciclo de desenvolvimento da indústria de petróleo e gás do Brasil. A afirmação foi feita por Hunter Farris, vice-presidente sênior de Águas Profundas da companhia, durante o congresso de óleo e gás ROG.e, realizado no Rio de Janeiro nesta terça-feira.
O foco principal da ambição da ExxonMobil recai sobre a Margem Equatorial, uma região que a indústria considera a nova fronteira exploratória mais promissora do país. A empresa vê no Brasil um parceiro estratégico para o futuro energético global, buscando replicar o sucesso obtido em outras áreas de águas profundas.
ExxonMobil mira o futuro energético brasileiro
Hunter Farris destacou o “sucesso extraordinário” que o Brasil alcançou no setor de óleo e gás, ressaltando o interesse da ExxonMobil em contribuir para o que ele chamou de “próximo capítulo” da história energética brasileira. Embora o executivo não tenha detalhado planos específicos de investimento ou exploração para a Margem Equatorial neste momento, a declaração sinaliza uma intenção clara de expansão e engajamento profundo no mercado nacional.
A presença da ExxonMobil no Brasil não é recente. No ano passado, a companhia já havia demonstrado seu comprometimento ao arrematar, em parceria com a Petrobras, dez blocos exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas. Esta bacia está estrategicamente localizada na Margem Equatorial, uma área que tem atraído a atenção global devido ao seu vasto potencial.
A promessa da Margem Equatorial e a parceria com a Petrobras
A Margem Equatorial é uma vasta área que se estende da costa do Amapá até o Rio Grande do Norte, e sua geologia é comparada à de regiões de grande sucesso exploratório. Farris, ao ser questionado sobre a região, descreveu-a como uma “ótima vizinhança”, uma referência direta à semelhança geológica com a Guiana, onde a produção da ExxonMobil tem apresentado um crescimento significativo e transformador.
A parceria com a Petrobras, empresa com vasta experiência em exploração e produção em águas profundas no Brasil, reforça a estratégia da ExxonMobil de atuar em consórcio para mitigar riscos e otimizar o desenvolvimento de novos projetos. A colaboração entre as duas gigantes do setor pode ser um catalisador para a exploração eficiente e responsável da Margem Equatorial.
O exemplo da Guiana: um case de sucesso na exploração de águas profundas
Para ilustrar o potencial da exploração em novas fronteiras, Farris fez uma comparação direta com a experiência da ExxonMobil na Guiana. Ele relembrou que, antes da descoberta de Liza em maio de 2015, mais de 40 poços haviam sido perfurados no offshore guianense sem sucesso. No entanto, a persistência da Exxon, aliada à sua experiência acumulada na margem atlântica, especialmente na África Ocidental, e ao uso de tecnologia avançada e dados, foi crucial para o avanço na região.
Desde 2015, a ExxonMobil liderou uma série de grandes descobertas na Guiana, transformando o país em um importante produtor de petróleo. Atualmente, quatro projetos estão em operação, com uma produção diária de cerca de 900 mil barris. A expectativa é que, com a conexão e comissionamento de um quinto FPSO (Floating Production Storage and Offloading), a produção supere 1 milhão de barris por dia até o final do ano, consolidando a Guiana como um player global.
Segurança energética global e o papel da indústria de óleo e gás
O executivo da ExxonMobil defendeu a continuidade da busca por novas reservas de petróleo e gás, enfatizando a importância desses recursos para a segurança energética global. Farris reconheceu que a indústria opera sob o escrutínio público, com diferentes percepções – “Alguns nos amam, alguns nos odeiam” –, mas reiterou a necessidade do setor para atender às demandas energéticas mundiais.
Na visão de Farris, a indústria tem a oportunidade e a responsabilidade de explorar e desenvolver novos recursos de forma eficiente e ambientalmente consciente. Essa abordagem, segundo ele, não apenas contribui para a estabilidade do fornecimento de energia, mas também gera empregos e riqueza nos países produtores. A projeção é que, nos próximos dez anos, o Atlântico Sul seja palco de novas descobertas e do desenvolvimento de projetos inovadores.
Desafios e a busca por agilidade no desenvolvimento de novas fronteiras
Apesar de elogiar o “trabalho extraordinário” do Brasil na construção de sua posição atual na indústria de petróleo, Farris fez uma ressalva importante sobre a “velocidade”. Ele destacou que a agilidade é um elemento fundamental para transformar descobertas em produção efetiva e, consequentemente, em geração de valor para o país. Este ponto é crucial em um cenário onde a exploração de novas fronteiras, como a Margem Equatorial, envolve complexidades que vão desde a logística até os processos regulatórios e de licenciamento, que podem impactar o ritmo de desenvolvimento.
A experiência da Guiana serve como um lembrete de que o sucesso na exploração de águas profundas exige não apenas tecnologia e expertise, mas também um ambiente regulatório claro e eficiente que permita a rápida progressão dos projetos. O Brasil, com seu vasto potencial, tem a chance de consolidar sua posição como um dos principais produtores globais, desde que consiga conciliar a exploração com a sustentabilidade e a celeridade necessária.
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