Os impactos do racismo na saúde mental estarão em pauta na próxima reunião da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Vila Velha, nesta quarta-feira (21), às 8h30, no auditório da Faculdade Estácio de Sá. O encontro terá a participação da assistente social Larisse Nunes, mestra em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que vai discutir a relação entre racismo, desigualdades sociais e adoecimento psíquico.
A discussão parte de uma realidade presente nos serviços públicos de saúde: a população negra representa a maior parcela das pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na saúde mental, esse cenário também exige atenção dos profissionais, tanto na organização dos serviços quanto na compreensão das condições sociais que influenciam o sofrimento psíquico.
Entre os pontos a serem abordados estão os efeitos do racismo na vida cotidiana, incluindo a violência policial e institucional, os impactos na autoimagem e a exposição a situações traumáticas. Essas experiências podem contribuir para o sofrimento emocional e, em determinadas circunstâncias, agravar quadros de saúde mental ou estar associadas a manifestações como ideação suicida e automutilação.
O que afeta a saúde da população negra
A proposta é ampliar o olhar dos profissionais sobre os fatores que interferem na saúde da população negra. Além dos aspectos individuais, a discussão considera os determinantes sociais da saúde, como as desigualdades e as diferentes formas de violência e discriminação que afetam as condições de vida e o acesso ao cuidado.
O tema também ganha espaço no período que antecede o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, quando ações e debates reforçam a necessidade de enfrentar o racismo e ampliar a visibilidade das questões relacionadas à população negra.
Palestrante convidada, Larisse Nunes é especialista em Educação Popular em Saúde e em Gestão da Política de Assistência Social. Servidora pública, também atua como assessora em Políticas Públicas para a Primeira Infância.
Estratégias conjuntas
A RAPS reúne serviços do SUS que atendem pessoas em sofrimento mental e usuários que enfrentam problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas. As reuniões periódicas da rede são um espaço para compartilhar situações do dia a dia dos serviços, discutir condutas e construir estratégias conjuntas de cuidado e prevenção.