A Copa do Mundo de 2026 está prestes a escrever um novo capítulo em sua rica história, com as semifinais apresentando um cenário que não se via há 36 anos. Pela primeira vez desde o torneio de 1990, na Itália, a fase que antecede a grande final reunirá exclusivamente seleções que já ergueram o cobiçado troféu. Argentina, França, Espanha e Inglaterra, juntas, somam sete títulos mundiais, representando um terço das 22 edições já realizadas do evento, prometendo confrontos de alto nível e repletos de simbolismo.
Este reencontro de gigantes do futebol mundial eleva a expectativa para os duelos decisivos. A primeira vaga na final será disputada nesta terça-feira, dia 14 de julho, em Dallas, nos Estados Unidos, quando França e Espanha se enfrentarão a partir das 16h (horário de Brasília). No dia seguinte, quarta-feira, 15 de julho, no mesmo horário, Argentina e Inglaterra medirão forças em Atlanta, também em solo norte-americano, em um confronto que evoca memórias de rivalidades históricas.
O Retorno de um Fenômeno Histórico na Copa
A última vez que as semifinais da Copa do Mundo foram palco exclusivo de campeões foi em 1990. Naquela ocasião, o quarteto era formado por Argentina, Inglaterra, Itália e Alemanha Ocidental. Curiosamente, Argentina e Inglaterra, que se enfrentam agora, também estavam presentes. Os hermanos, então bicampeões (1978 e 1986), superaram a anfitriã Itália nos pênaltis em Nápoles, cidade onde Diego Maradona era um ídolo incontestável. Do outro lado, a Inglaterra, campeã em 1966, sucumbiu à Alemanha Ocidental, que buscava sua terceira final consecutiva e viria a ser tricampeã.
A edição de 1990 é, para muitos, considerada uma das semifinais mais “pesadas” da história. Naquele momento, as quatro seleções somavam oito dos 13 títulos mundiais disputados até então, um percentual superior aos 32% dos sete títulos em 22 edições que o quarteto de 2026 representa. A ausência notável em 1990 era apenas de Brasil e Uruguai, os outros campeões da época, o que ressalta a magnitude daquele alinhamento de potências futebolísticas.
Caminhos Distintos até a Glória
As seleções que chegam a esta fase decisiva trilharam percursos variados. França e Espanha, que se enfrentam na primeira semifinal, tiveram uma jornada menos desgastante na fase eliminatória, garantindo suas vagas sem a necessidade de prorrogações ou disputas de pênaltis. Os Bleus, como são conhecidos os franceses, acumularam 282 minutos em campo, com vitórias convincentes sobre Suécia (3×0), Paraguai (1×0) e Marrocos (2×0).
A Fúria, apelido da seleção espanhola, esteve em campo por apenas três minutos a mais (285 minutos), superando Áustria (3×0), Portugal (1×0) e Bélgica (2×1). É importante notar que, embora tenham evitado o tempo extra, a Espanha precisou de momentos de heroísmo, com o meia Mikel Merino sendo decisivo nos instantes finais das oitavas e quartas de final para selar a classificação.
Em contraste, Inglaterra e Argentina enfrentaram caminhos mais árduos. Os ingleses somaram 327 minutos de jogo, com vitórias sobre República Democrática do Congo (2×1) e México (3×2) no tempo normal, mas precisaram de prorrogação para eliminar a Noruega (2×1). A Argentina, por sua vez, foi a seleção com o maior tempo em campo, totalizando 364 minutos. Os hermanos superaram Cabo Verde (3×2), Egito (3×2) – esta última sem prorrogação – e Suíça (3×1), com os dois primeiros confrontos e o último exigindo o tempo extra.
O Panteão dos Melhores: Ranking FIFA em Destaque
Um dado notável desta Copa do Mundo é que, pela primeira vez desde a criação do ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA) em dezembro de 1992, os quatro semifinalistas ocupam as quatro primeiras posições da lista. Antes do início do torneio, a Argentina liderava, mas foi ultrapassada pela França, que ganhou duas posições e agora figura no topo. A Espanha caiu da segunda para a terceira colocação, enquanto a Inglaterra manteve-se firme no quarto lugar.
Analisando a dificuldade dos adversários na fase eliminatória, com base no ranking da FIFA de 11 de junho (o último antes da Copa), a Argentina enfrentou os oponentes teoricamente menos complicados: Cabo Verde (67º), Egito (29º) e Suíça (19º). A Inglaterra encarou República Democrática do Congo (46º), México (14º) e Noruega (31º). A França superou Suécia (38º), Paraguai (41º) e Marrocos (7º), enquanto a Espanha teve o caminho mais desafiador, com Áustria (24º), Portugal (5º) e Bélgica (9º).
Historicamente, a Espanha é a seleção que passou mais tempo na liderança do ranking FIFA entre os semifinalistas, com 2.154 dias na ponta, principalmente entre 2008 e 2013, período de seus títulos europeus (2008, 2012) e da Copa do Mundo de 2010. A Argentina ocupou o primeiro lugar por 1.697 dias desde 1992, e a França lidera há 554 dias, incluindo 35 dias de empate com a Bélgica. A Inglaterra, por sua vez, nunca alcançou o topo, tendo como melhor colocação o terceiro lugar em 2012 e 2024.
Este cenário de gigantes se enfrentando nas semifinais não apenas promete jogos eletrizantes, mas também reforça a narrativa de que a tradição e a excelência continuam a moldar o destino do futebol mundial. A busca pelo título de 2026 se torna ainda mais épica, com cada seleção buscando solidificar seu legado e adicionar mais uma estrela à sua camisa.
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