O ex-lateral Joan Capdevila, figura emblemática da seleção espanhola campeã mundial em 2010, viu seus planos de acompanhar a final da Copa do Mundo nos Estados Unidos serem frustrados. O jogador, que pretendia assistir à decisão entre Espanha e Argentina em Nova Jersey, ao lado de seus filhos, teve seu pedido de entrada no país norte-americano negado. A razão para o veto remonta a uma partida amistosa disputada no Irã há quase uma década, um evento que, para as autoridades de imigração dos EUA, o torna inelegível para o programa de isenção de vistos.
A situação de Capdevila, que foi titular da “Fúria” na histórica vitória sobre a Holanda há 16 anos, em Joanesburgo, na África do Sul, veio à tona após a rejeição de seu cadastro no Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA). Este sistema permite que cidadãos de países elegíveis, como a Espanha, viajem aos Estados Unidos sem visto por até 90 dias. A notícia, divulgada pelo próprio ex-atleta em sua rede social X, gerou surpresa e indignação entre fãs e a comunidade esportiva.
O veto inesperado a um campeão mundial
Aos 48 anos, Capdevila detalhou à imprensa espanhola, em depoimento que ele mesmo repostou, que o impedimento se deveu à sua participação em um amistoso em Teerã, capital do Irã, no ano de 2016. Na ocasião, em reta final de sua carreira profissional, o lateral atuou por um combinado de ex-jogadores da LaLiga, o Campeonato Espanhol, em um confronto festivo contra estrelas do futebol iraniano. Entre os participantes daquele jogo estava também o ex-volante Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol, que não teve sua situação de viagem mencionada.
O ex-jogador havia sido convidado pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para integrar a comitiva de campeões de 2010 que acompanhariam a final em Nova Jersey. Nomes de peso como Iker Casillas, Carles Puyol, Sergio Ramos e Xavi Hernández já se encontram em território norte-americano, desfrutando da oportunidade de reviver a glória e torcer por sua seleção. A impossibilidade de Capdevila se juntar a seus antigos companheiros e compartilhar esse momento com seus filhos, que são apaixonados por futebol, foi expressa com grande pesar em suas publicações.
Em sua busca por uma solução, Capdevila chegou a marcar em suas postagens o perfil de Donald Trump, então presidente norte-americano, além do Ministério da Educação, Formação Profissional e Esportes espanhol e do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Contudo, até o momento, não houve resposta pública ou via redes sociais que pudesse reverter a situação.
A política de imigração e as tensões geopolíticas
A raiz do problema reside na rigorosa política de segurança interna dos Estados Unidos. Conforme o Departamento de Segurança Interna, indivíduos que estiveram no Irã em ou após 1º de março de 2011, ou que possuem dupla nacionalidade com o país persa, tornam-se inelegíveis para o programa ESTA. Essa medida reflete as complexas e tensas relações diplomáticas entre as duas nações, que há anos se encontram em um estado de hostilidade velada.
A situação de Capdevila não é um caso isolado e ecoa dificuldades já enfrentadas por outros indivíduos ligados ao Irã. Durante a Copa do Mundo, a própria seleção iraniana e seus torcedores enfrentaram obstáculos significativos para obterem vistos de entrada nos Estados Unidos, país que sediou parte dos jogos da primeira fase. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) chegou a receber um pedido para que as partidas fossem realocadas para o México, outro país-sede, mas a solicitação foi negada. A delegação iraniana só foi autorizada a entrar no país um dia antes de sua estreia, e relatos de atrasos e burocracia excessiva prejudicaram sua logística e preparação.
O técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, chegou a reclamar publicamente do que classificou como um “tratamento desigual” e “piores condições possíveis” de preparação. O atacante e capitão Medhi Taremi foi ainda mais incisivo, sugerindo que a FIFA e as autoridades norte-americanas “fizeram de tudo” para eliminar o país o quanto antes da competição. Apesar de uma campanha invicta na fase de grupos, com três empates em um grupo que incluía Egito e Bélgica, o Irã acabou se despedindo na primeira fase, em meio a um clima de controvérsia e ressentimento.
A política de imigração dos EUA, embora justificada por razões de segurança nacional, frequentemente gera debates sobre seu impacto em indivíduos que, como Capdevila, participaram de eventos culturais ou esportivos em países considerados de risco, sem qualquer intenção política ou ameaça. A rigidez das regras acaba por atingir pessoas que, de outra forma, seriam bem-vindas, criando situações de frustração e impedindo experiências pessoais significativas, como a de um pai que deseja compartilhar um momento histórico do esporte com seus filhos.
Para mais informações sobre as políticas de viagem para os Estados Unidos, você pode consultar o site oficial do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Acesse aqui.
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