Em um dos confrontos mais eletrizantes da segunda fase da Copa do Mundo de 2026, a Bélgica, líder do Grupo G, superou Senegal, terceiro colocado do Grupo I, em uma virada dramática por 3 a 2. A partida, disputada nesta quarta-feira no estádio de Seattle, nos Estados Unidos, manteve os torcedores em suspense até os últimos instantes da prorrogação, quando um pênalti assinalado pelo árbitro de vídeo (VAR) selou a classificação belga para as oitavas de final. O resultado foi a maior virada do torneio até o momento, destacando a resiliência da equipe europeia.
O jogo foi um verdadeiro teste para a “nova geração belga”, que vestia uma inusitada camisa azul clara com bolinhas rosas. A equipe enfrentou um adversário africano determinado e organizado, que impôs dificuldades desde o apito inicial, mostrando a força e a evolução do futebol senegalês no cenário mundial.
O domínio inicial senegalês e o gol que abriu o placar
Desde os primeiros minutos, Senegal demonstrou maior volume de jogo e agressividade. Logo aos 8 minutos do primeiro tempo, Trossard arriscou para a Bélgica, mas o goleiro Diaw fez a defesa com segurança. A resposta senegalesa foi quase imediata e perigosa. Aos 12 minutos, em um cruzamento na área, o goleiro Courtois falhou no tempo da bola, que sobrou limpa para Ismaila Sarr. Desequilibrado, o atacante tocou na trave, e no rebote, perdeu nova chance, batendo na rede pelo lado de fora.
A pressão africana continuou intensa. Aos 16, Gana Gueye chutou de fora da área, e Courtois, dessa vez, encaixou firme. O gol era uma questão de tempo, e ele veio aos 24 minutos: em novo cruzamento na área, Ismaila Sarr cabeceou na trave esquerda de Courtois, e no rebote, Diarra completou para as redes, abrindo o placar em 1 a 0. O gol refletia a superioridade de Senegal, que seguiu mandando na partida, com Mané finalizando no meio do gol aos 36, defendido por Courtois.
A Bélgica só conseguiu reagir nos minutos finais da primeira etapa. Aos 42, Doku recebeu de De Bruyne e chutou, a bola desviou na zaga e deu trabalho para Diaw. Aos 44, um chute forte de De Cuyper, de fora da área, foi espalmado para escanteio pelo goleiro, dando um sopro de esperança aos belgas para o segundo tempo.
A reação belga e o empate improvável no tempo normal
O retorno do vestiário não trouxe alívio para a Bélgica. Aos 5 minutos do segundo tempo, Senegal ampliou a vantagem. Ismaila Sarr foi lançado, invadiu a área e fuzilou Courtois, marcando o segundo gol e colocando o placar em 2 a 0. A situação parecia irreversível para a equipe do técnico Rudi Garcia.
No entanto, as substituições operadas por Garcia foram cruciais para a mudança de panorama. A entrada de Lukaku no lugar de De Ketelaere no ataque, e as saídas de De Bruyne e Doku para as entradas de outros atletas, deram novo fôlego à Bélgica. Tielemans acertou a rede pelo lado de fora, e Lukebakio arriscou um chute com curva que passou perto. Aos 40 minutos do segundo tempo, Lukaku, o centroavante, conseguiu diminuir a contagem ao se antecipar à zaga em um cruzamento rasteiro e desviar para o gol: 2 a 1.
A virada belga se completou de forma surpreendente aos 43 minutos. Em um levantamento para a área, o goleiro Diaw saiu atabalhoado, e Tielemans, aproveitando a meta vazia, cabeceou para o fundo das redes, empatando o jogo em 2 a 2. A Bélgica, que parecia derrotada, renascia e levava a partida para a prorrogação com um novo ânimo.
Prorrogação tensa e a intervenção decisiva do VAR
No tempo extra, a cautela tomou conta das duas seleções. O técnico de Senegal, Pape Thiaw, optou por retirar seu maior ídolo, Sadio Mané, colocando Nicolas Jackson em campo. A primeira etapa da prorrogação foi marcada pelo receio de ambas as equipes em se expor a contra-ataques, resultando em 15 minutos sem grandes emoções. A Bélgica, contudo, passou a ter maior posse de bola e a frequentar o campo de ataque com mais constância.
No segundo tempo da prorrogação, as chances de gol voltaram a aparecer. Mbaye desperdiçou uma ótima oportunidade para Senegal, e Bara Ndiaye arriscou um chute rasteiro que Courtois encaixou firmemente. O momento mais dramático veio no finalzinho, quando o belga Lukebakio recebeu um passe livre dentro da área, ajeitou e chutou forte, mas a bola caprichosamente pegou no travessão do goleiro Diaw e foi para fora.
Foi então que o VAR entrou em cena e mudou o destino da partida. Aos 120 minutos, o árbitro de vídeo alertou sobre um pênalti ocorrido anteriormente, quando Camara calçou Tielemans na área. O juiz hondurenho Said Martínez foi ao monitor e confirmou a penalidade máxima para a Bélgica. Tielemans, com frieza, deslocou o goleiro e marcou o gol da vitória, fechando o placar em 3 a 2 e concretizando a maior virada da Copa de 2026.
Avanço da Bélgica e o impacto no torneio
A vitória dramática em Seattle, testemunhada por quase 67 mil espectadores, não apenas garantiu a classificação da Bélgica para as oitavas de final, mas também solidificou a reputação da equipe como um time capaz de superar adversidades extremas. A resiliência demonstrada, especialmente após estar perdendo por dois gols, é um fator que pode impulsionar a confiança da “nova geração belga” no restante do torneio.
A equipe enfrentará o vencedor do confronto entre Estados Unidos e Bósnia-Herzegovina na próxima segunda-feira, às 21h, em busca de uma vaga nas quartas de final. O uso do VAR, que se tornou um elemento central no futebol moderno, mais uma vez provou ser decisivo em um momento crucial, gerando debates e emoções intensas. Para Senegal, a eliminação precoce, apesar da excelente performance em grande parte do jogo, deixa um gosto amargo, mas também a certeza de que a seleção africana tem potencial para brilhar em futuras competições.
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