A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou que o ônibus envolvido no trágico acidente que resultou na morte de dez pessoas em Petrópolis, no último domingo (16), não possuía autorização para realizar transporte interestadual de passageiros. A revelação lança luz sobre a gravidade da operação clandestina e os riscos inerentes a este tipo de serviço, que vitimou dezenas de passageiros em uma das rodovias mais desafiadoras do estado do Rio de Janeiro.
O veículo, de placa AKY-3454, tombou na madrugada de domingo, deixando um rastro de destruição e luto. A ANTT classificou a operação como transporte clandestino, destacando a ausência de habilitação nos sistemas do órgão regulador para a rota que ligava Belo Horizonte, em Minas Gerais, a Copacabana, na capital fluminense.
A Irregularidade e os Riscos do Transporte Clandestino
A fiscalização da ANTT é crucial para garantir a segurança e a regularidade do transporte de passageiros em rotas interestaduais. No caso do acidente em Petrópolis, a agência apontou que o ônibus estava registrado em nome da empresa Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Contudo, nenhuma dessas empresas possui habilitação para operar serviços de transporte de passageiros sob a regulamentação da ANTT.
Além disso, o coletivo exibia a identificação “Estrela Guia Turismo” e um adesivo da ANTT em nome da empresa Samara, ambas também sem qualquer tipo de credenciamento junto ao órgão regulador. Essa teia de irregularidades sublinha o perigo do transporte clandestino, que frequentemente opera sem as devidas vistorias de segurança, manutenção adequada dos veículos e motoristas com a capacitação e jornada de trabalho exigidas por lei. Para mais informações sobre a regulamentação do transporte, consulte o site da ANTT.
O advogado Aroldo Leão Braz, representante da assessoria jurídica da Estrela Guia, informou que a empresa não se manifestará publicamente sobre o caso neste momento, reservando-se o direito de apresentar esclarecimentos nos autos dos processos judiciais que venham a ser instaurados.
O Resgate e a Identificação das Vítimas Fatais
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que 56 pessoas estavam a bordo do ônibus, incluindo o motorista e dois ajudantes. A mobilização para o resgate foi intensa, com equipes de saúde e segurança atuando para socorrer os feridos e identificar as vítimas.
O Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, atendeu 11 vítimas, das quais seis já receberam alta. Outros cinco pacientes permanecem internados, com quadros de saúde estáveis. Já o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, recebeu 14 vítimas. Infelizmente, Alessandra Pereira, de 34 anos, não resistiu e faleceu enquanto recebia os primeiros socorros. Dos demais, oito foram liberados e cinco seguem internados, incluindo duas crianças e três adultos, todos em condição estável.
A Secretaria de Estado da Polícia Civil (Sepol) encaminhou os corpos de nove vítimas ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis para exames periciais e identificação. As vítimas identificadas são: Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos; Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7 anos; Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos; Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos; Keyla Perucci da Silva, de 35 anos; Priscilla de Souza Braz, de 33 anos; Natália Fimiano de Barros, de 34 anos; Dayanna de Lima Viana, de 36 anos; e Vânia Elida de Jesus Crispim, de 33 anos. A décima vítima ainda aguarda identificação oficial.
Pesar e Apoio às Famílias
Em nota, a Estrela Guia Turismo expressou “profundo pesar pelo grave acidente” e manifestou solidariedade às vítimas, seus familiares e a todos os envolvidos. A empresa afirmou estar prestando apoio às famílias, incluindo o translado dos corpos para seus locais de destino e o suporte para o transporte dos sobreviventes de volta para suas residências, conforme as necessidades individuais de cada família.
O caso reforça a importância da fiscalização rigorosa e da conscientização dos passageiros sobre os perigos de utilizar serviços de transporte não regulamentados. A investigação sobre as causas do acidente e as responsabilidades pela operação clandestina segue em andamento, buscando respostas para a tragédia que abalou a região.
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