Após 16 anos de uma espera que parecia interminável, a Espanha voltou ao topo do futebol mundial, sagrando-se bicampeã da Copa do Mundo de 2026. Em uma final eletrizante contra a atual detentora do título, a Argentina, a Fúria demonstrou resiliência e dominou a partida, garantindo a vitória por 1 a 0 na prorrogação, em um confronto disputado no New York/New Jersey Stadium, nos Estados Unidos, neste domingo (19).
A conquista não apenas adiciona uma segunda estrela ao escudo espanhol, mas também insere a seleção em um grupo seleto de bicampeões, ao lado de nações como Uruguai e França. O triunfo é um testemunho da renovação e do talento de uma geração que soube honrar o legado dos ídolos de 2010, muitos dos quais, como Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol e Andrés Iniesta, estiveram presentes para testemunhar o novo capítulo de glória.
A consagração de uma nova Fúria
A jornada até o bicampeonato foi marcada por uma combinação de juventude e experiência, com a Espanha apresentando a sexta menor média de idade da Copa, com 26,2 anos. Essa aposta em novos talentos se provou acertada, culminando no gol decisivo de Ferran Torres, atacante de 26 anos que, assim como Iniesta na final de 2010, representava o Barcelona no momento da glória. Cria do Valência e com passagem pelo Manchester City, Torres personifica a nova safra de jogadores que prometem manter a Fúria no topo.
A presença de jovens prodígios como os meias Gavi e Pedri, e os atacantes Nico Williams e Lamine Yamal, aponta para um futuro promissor. Yamal, em particular, com apenas 19 anos, tornou-se o mais jovem campeão mundial desde Ronaldo em 1994, e o quarto mais novo da história a erguer a taça, ficando atrás apenas de lendas como Pelé, que conquistou seu primeiro Mundial em 1958 com 17 anos e 249 dias. Esses nomes, que sequer terão completado 30 anos na Copa de 2030, quando a Espanha será uma das sedes, já se consolidam como favoritos a buscar o tricampeonato.
Recordes e o duplo triunfo histórico
A vitória sobre a Argentina não foi apenas um título, mas um marco histórico em múltiplos aspectos para a Espanha. Pela primeira vez na história do futebol, um país conseguiu assegurar, de forma simultânea, os títulos mundiais em ambos os gêneros. A Fúria já havia conquistado a Copa do Mundo Feminina em 2023, na Austrália e Nova Zelândia, e agora unifica as taças, um feito que ressalta a força e a evolução do futebol espanhol em todas as suas vertentes. No próximo ano, o Brasil terá a honra de sediar a Copa das Mulheres, e as espanholas buscarão manter essa hegemonia.
Além disso, a seleção espanhola estabeleceu um novo recorde de invencibilidade no futebol internacional. Com o triunfo na final, a Espanha alcançou a impressionante marca de 38 partidas sem derrotas, superando a sequência histórica da Itália entre 2018 e 2021. Curiosamente, essa série vitoriosa teve seu início em um empate por 3 a 3 contra o Brasil de Dorival Júnior, em 26 de março de 2024, na capital Madri, mostrando a consistência e a qualidade do trabalho desenvolvido pela equipe.
O adeus de Messi e a frustração argentina
Do lado argentino, a final representou a frustração de um sonho adiado: a busca pelo tetracampeonato e a tentativa de “vingar” a Copa de 1994, também nos Estados Unidos, marcada pela suspensão de Diego Maradona por doping. Mais do que isso, a partida marcou o adeus de Lionel Messi às Copas do Mundo.
Aos 39 anos, em seu sexto Mundial, o camisa 10 se despede com o título de 2022, dois vices (2014 e 2026) e o posto de segundo maior artilheiro da história do evento, com 21 gols. Messi liderou essa estatística durante boa parte da Copa de 2026, mas foi ultrapassado no último sábado (18) pelo francês Kylian Mbappé, que chegou a 22 gols na disputa do terceiro lugar contra a Inglaterra, em Miami. A despedida de um dos maiores jogadores de todos os tempos, sem a glória do bi consecutivo, deixa um sabor agridoce para os torcedores argentinos.
Uma final de nervos e poucas chances
Ao contrário do sábado repleto de gols na disputa pelo terceiro lugar e da movimentada final de 2022, a decisão entre Espanha e Argentina foi um jogo de nervos e poucas oportunidades claras. O primeiro tempo, em particular, foi marcado por atuações abaixo do esperado de ambas as equipes, que demonstraram um certo nervosismo e não conseguiram sair do zero. A Fúria, no entanto, teve a iniciativa e as poucas chances de gol, ainda que nenhuma delas tenha sido realmente perigosa.
Aos quatro minutos, Yamal tabelou com o meia Dani Olmo, invadiu a área pela direita e finalizou, mas a defesa argentina conseguiu conter o ímpeto inicial. A partida seguiu com a Espanha pressionando e a Argentina se defendendo, resultando em um “amasso” espanhol que durou os 120 minutos, até o gol salvador na prorrogação que garantiu o tão sonhado bicampeonato.
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