A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está conduzindo uma investigação aprofundada para determinar se um dos helicópteros envolvidos na trágica colisão aérea ocorrida no último domingo (14) no Rio de Janeiro operava de forma clandestina. O acidente, que resultou na morte de seis pessoas, levanta sérias questões sobre a segurança do transporte aéreo não regulamentado, especialmente após a agência ter recebido uma denúncia de transporte aéreo irregular envolvendo uma das aeronaves em 2025.
A fatalidade chocou a capital fluminense, com as aeronaves caindo nos arredores da Avenida das Américas, na altura do Recreio dos Bandeirantes. O incidente não apenas ceifou vidas, mas também provocou um incêndio de grandes proporções no estacionamento de uma concessionária de carros elétricos, atingindo pelo menos 20 veículos e evidenciando a gravidade do ocorrido.
A Tragédia Aérea e o Cenário do Acidente
Na manhã do domingo, por volta das 8h59, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro foi acionado para atender a uma ocorrência de colisão aérea. O cenário encontrado pelas equipes de resgate era desolador: dois helicópteros haviam se chocado e caído, deixando um rastro de destruição e um incêndio que rapidamente se alastrou. A área do Recreio dos Bandeirantes, conhecida por sua movimentação, foi palco de uma operação de emergência complexa, com bombeiros trabalhando intensamente para controlar as chamas e prestar os primeiros socorros.
A queda das aeronaves no estacionamento de uma concessionária adicionou uma camada de complexidade e perigo à situação. O impacto e o subsequente incêndio em veículos elétricos, que podem apresentar desafios específicos no combate a chamas, exigiram uma resposta coordenada e eficiente das autoridades para evitar danos ainda maiores e garantir a segurança da área.
A Investigação da Anac sobre Voo Clandestino
O foco da investigação da Anac recai sobre a aeronave de prefixo PP-MAC. Segundo a agência, em 2025, uma denúncia de transporte aéreo clandestino já havia sido registrada contra este helicóptero. Em decorrência dessa apuração, a aeronave foi autuada por recusa de informações à Anac e incluída na lista de monitoramento presencial da unidade de fiscalização, um procedimento padrão para aeronaves sob suspeita de irregularidades.
Apesar do monitoramento, a aeronave PP-MAC não foi localizada durante as fiscalizações realizadas pela Anac em 2025 e 2026. Nesse período, a agência inspecionou 43 aeronaves e 47 tripulantes em nove aeródromos da cidade do Rio de Janeiro, ressaltando a dificuldade em rastrear operações clandestinas. A prática de transporte aéreo irregular representa um grave risco à segurança de passageiros e de terceiros em solo, pois aeronaves e tripulantes podem não atender aos rigorosos padrões de manutenção e qualificação exigidos pela legislação.
As Vítimas e a Dor da Perda
A colisão resultou na morte de todas as seis pessoas a bordo das aeronaves. A identificação das vítimas é um processo doloroso e crucial para as famílias. Até o momento, a Polícia Civil confirmou a identidade de cinco dos ocupantes: Lucas Brito Chaves, produtor musical brasileiro; Alexandre Souza, piloto brasileiro; Gaspar Prim, influenciador argentino conhecido como Gaspi; Lucas Vignale, argentino e diretor de videoclipes; e Charles Marsillac, piloto brasileiro que voava sozinho em uma das aeronaves.
Ainda aguarda identificação oficial o cantor e produtor musical norte-americano Nickel Oliver Tree, de 32 anos. Conhecido como o “Rei do Hyperpop”, Tree Nickel era uma figura multifacetada na indústria do entretenimento, com sucessos como Life Goes ON (2021) e Miss You (2022). Sua presença no Brasil para uma agenda de compromissos adiciona uma dimensão internacional à tragédia. Peritos do Instituto Médico-Legal (IML) já coletaram material para a identificação formal do artista, trazendo um alento às expectativas de seus fãs e familiares.
Ações da Polícia Civil e a Busca por Respostas
Paralelamente à investigação da Anac, a Polícia Civil do Rio de Janeiro está à frente da apuração criminal do acidente. A perícia no local já foi realizada, e os agentes aguardam o laudo técnico do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado ao Comando da Aeronáutica. A colaboração entre as diferentes esferas de investigação é fundamental para esclarecer as causas da colisão e determinar as responsabilidades.
O laudo do Cenipa será crucial para entender a dinâmica do acidente, falhas mecânicas, condições meteorológicas ou erros operacionais que possam ter contribuído para a tragédia. Somente com a conclusão dessas análises será possível ter um panorama completo do que levou à colisão e, consequentemente, tomar medidas para prevenir futuros incidentes. A sociedade aguarda respostas claras e transparentes diante de um evento de tamanha magnitude.
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