A percepção de segurança no Brasil é um desafio persistente, e uma pesquisa recente do Instituto Sou da Paz, em parceria com a Oma Pesquisa, lança luz sobre essa realidade. O estudo revela que apenas 32% dos brasileiros se sentem seguros na cidade onde vivem, um índice que despenca para 26% quando se trata de mulheres. Os dados, coletados entre novembro e dezembro de 2025, com 1.115 entrevistas presenciais em todo o país, mostram que a população brasileira busca soluções mais eficientes e menos polarizadas para a segurança pública.
A pesquisa, divulgada recentemente, destaca uma clara preferência por propostas que priorizam a eficiência, a prevenção, o uso de tecnologia e o respeito à lei. Essa inclinação reflete um cansaço da sociedade com abordagens que não têm gerado resultados concretos no cotidiano das pessoas, apontando para uma maioria silenciosa que anseia por mudanças significativas e eficazes.
A percepção da segurança pública no Brasil
A baixa sensação de segurança é um reflexo direto dos desafios enfrentados diariamente pelos cidadãos. A violência urbana, a criminalidade e a falta de confiança em algumas instituições contribuem para esse cenário preocupante. Para as mulheres, a situação é ainda mais crítica, com o índice de segurança caindo para menos de um terço, o que sublinha a urgência de políticas públicas focadas na proteção feminina.
O levantamento também aponta que 83% das pessoas identificaram a violência contra a mulher como uma realidade presente em suas cidades. Esse dado alarmante ressalta a necessidade de ações coordenadas para combater não apenas a criminalidade em geral, mas também as formas específicas de violência que afetam grupos mais vulneráveis, como as mulheres.
Além dos radicalismos: o que a população realmente quer
Contrariando narrativas simplistas e radicais, a pesquisa do Instituto Sou da Paz demonstra que a sociedade brasileira não adere amplamente a frases como “bandido bom é bandido morto”. Apenas 20% dos entrevistados concordam com essa afirmação, enquanto a vasta maioria, 73%, defende que criminosos devem ser julgados e presos pelos seus crimes, indicando um desejo por justiça e aplicação da lei, e não por vingança sumária.
Essa preferência por um sistema de justiça funcional se estende à aplicação da legislação existente. A maior parte da população (55%) acredita que o país precisa aplicar as leis já em vigor a todos os criminosos, em contraste com os 39% que veem a necessidade primordial de aumentar as penas. Isso sugere que a eficácia na aplicação das leis é vista como mais crucial do que apenas o endurecimento punitivo.
Tecnologia e controle de armas: demandas claras da sociedade
A tecnologia surge como um ponto de consenso na busca por mais segurança. Um expressivo 82% dos entrevistados são favoráveis ao uso de câmeras corporais por policiais, reconhecendo o potencial dessas ferramentas como tecnologias protetivas. Além disso, 65% acreditam que é fundamental ter uma polícia melhor e mais preparada, indicando um desejo por profissionalização e modernização das forças de segurança.
O debate sobre armas também revela uma visão clara da população. A pesquisa mostra que 77% das pessoas entendem que armas legalmente compradas podem ser utilizadas em atos violentos quando são roubadas. Mais ainda, 73% afirmam que ter mais armas em circulação gera mais violência. Esses números reforçam a preocupação pública com a proliferação de armas e seus impactos na segurança coletiva, alinhando-se a um clamor por maior controle e responsabilidade.
Caminhos para uma segurança mais eficaz
Diante dos resultados da pesquisa, o Instituto Sou da Paz propõe cinco prioridades essenciais para transformar a segurança pública nos próximos anos. Essas recomendações refletem as demandas da sociedade por abordagens mais estratégicas e humanas:
- Proteger meninas e mulheres: Enfrentar a violência de gênero com políticas específicas e eficazes.
- Fortalecer polícias mais preparadas e valorizadas: Investir em treinamento, equipamentos e condições de trabalho para as forças policiais.
- Enfrentar o crime organizado: Desenvolver estratégias robustas para desarticular redes criminosas.
- Reduzir roubos: Implementar medidas preventivas e repressivas para diminuir a incidência de roubos.
- Retirar armas ilegais de circulação: Intensificar o combate ao tráfico e à posse ilegal de armas.
Essas prioridades, alinhadas com o que a população brasileira deseja, representam um caminho para construir uma segurança pública mais justa, eficiente e que realmente atenda às necessidades dos cidadãos. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca que a sociedade está cansada de promessas antiquadas e busca resultados e eficácia, apoiando novas ideias que tragam resultados reais no dia a dia. Para mais informações sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o Região 5 News, seu portal de notícias com informação de qualidade e contextualizada.