Terra FM 98.5 Ao Vivo

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Obesidade ultrapassa hipertensão e se consolida como principal risco à saúde no Brasil

Imagem gerada com IA
Imagem gerada com IA

A saúde pública brasileira enfrenta uma mudança significativa em seu panorama de desafios. Pela primeira vez, a obesidade se tornou o principal fator de risco para a saúde no Brasil, superando a hipertensão, que ocupava essa posição de maior preocupação por décadas. Atualmente, a pressão alta figura em segundo lugar, seguida pela glicemia elevada, indicando uma transformação nos padrões de morbidade e mortalidade da população.

Essa constatação alarmante é um dos destaques da análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças (Global Burden of Disease Study), uma iniciativa abrangente que envolve milhares de pesquisadores de todo o mundo, cobrindo mais de 200 países. O diagnóstico específico para o Brasil foi publicado em maio na prestigiada revista científica The Lancet Regional Health – Americas, evidenciando a urgência de políticas e ações voltadas para o combate ao excesso de peso.

Ascensão da Obesidade: Um Desafio Nacional

O estudo enfatiza que a população brasileira passou por grandes mudanças no estilo de vida nas últimas décadas, impulsionadas, em grande parte, pelo aumento da urbanização. Esse cenário contribuiu diretamente para a redução dos níveis de atividade física e para a adoção de dietas hipercalóricas, ricas em sal e com excesso de alimentos ultraprocessados. Tais hábitos, combinados, criam um ambiente propício ao ganho de peso e ao desenvolvimento de doenças associadas.

O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, corrobora essas observações. Segundo ele, esses comportamentos levam os brasileiros a viverem em um “ambiente obesogênico”, onde a obesidade se apresenta como um dos maiores desafios de saúde pública que o país precisa enfrentar.

Hohl ressalta que a obesidade vai além do simples excesso de peso. “A obesidade não é apenas excesso de peso, mas uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e vários tipos de câncer”, explica o especialista, sublinhando a complexidade e a gravidade da condição.

Panorama de Riscos: Comparativo 1990-2023

A análise comparativa entre os dados de 1990 e 2023 revela uma inversão notável nos principais fatores de risco à saúde no Brasil. Em 1990, os três maiores fatores eram a hipertensão, o tabagismo e a poluição por materiais particulados no ar. Naquele período, o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, principal indicador da obesidade, figurava apenas em sétimo lugar, e a glicemia elevada, em sexto.

Em 2023, o cenário é drasticamente diferente: a obesidade ascende à primeira posição, após um crescimento constante no risco atribuído, que acumulou 15,3% desde 1990. Essa escalada reflete a urgência de uma abordagem multifacetada para conter o avanço da doença e suas consequências.

A comparação temporal também traz algumas boas notícias. O risco de morte ou de perda de qualidade de vida causado pela poluição particulada do ar caiu expressivos 69,5%. Houve também uma queda de aproximadamente 60% nos casos relacionados ao tabagismo, prematuridade e baixo peso ao nascer, e alto índice de colesterol LDL. Essas reduções demonstram o impacto positivo de campanhas de saúde pública e mudanças sociais.

Outros Fatores de Atenção e o Futuro da Saúde Pública

Apesar das quedas em alguns fatores, o estudo aponta para outros pontos de preocupação. De 2021 a 2023, o risco por tabagismo apresentou um ligeiro aumento de 0,2%, após muitos anos de queda sustentada. Esse dado acende um alerta para a necessidade de manter e intensificar as ações de controle do tabaco.

Chama atenção, ainda, o risco atribuído à violência sexual durante a infância, que aumentou quase 24%. Este fator, que aparecia na 25ª posição em 1990, saltou para o 10º lugar em 2023, indicando uma grave questão social e de saúde que exige atenção urgente e integrada.

A lista atual dos maiores fatores de risco à mortalidade ou perda da qualidade de vida no Brasil é a seguinte:

  1. Índice de massa corporal elevado;
  2. Hipertensão;
  3. Glicemia elevada;
  4. Tabagismo;
  5. Prematuridade ou baixo peso ao nascer;
  6. Abuso de álcool;
  7. Poluição particulada do ar;
  8. Mau funcionamento dos rins;
  9. Colesterol alto;
  10. Violência sexual na infância.

O cenário delineado pelo Estudo Global sobre Carga de Doenças reforça a necessidade de um olhar atento e de ações coordenadas para enfrentar os desafios de saúde no Brasil. A obesidade, em sua nova posição de destaque, exige estratégias robustas que promovam a alimentação saudável, a prática de atividade física e o acesso a cuidados de saúde adequados. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes e contextualizadas sobre saúde e outros temas importantes, mantenha-se conectado ao Região 5 News. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que te ajuda a entender e navegar pelo mundo.

Leia mais

PUBLICIDADE