A escalada do conflito no Oriente Médio e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz em março de 2026 forçaram o Brasil a reconfigurar suas rotas de importação de diesel. Para suprir a demanda interna, o país tem recorrido de forma crescente à Rússia e aos Estados Unidos, marcando uma mudança significativa na matriz de fornecimento de um dos combustíveis mais vitais para a economia nacional.
Essa alteração nas fontes de importação reflete a complexidade das relações geopolíticas e a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos globais, especialmente em um cenário de instabilidade. A busca por alternativas rápidas e eficientes tornou-se imperativa para garantir o abastecimento e mitigar os impactos nos preços ao consumidor.
A Nova Rota do Diesel Brasileiro
Os dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revelam a dimensão dessa mudança. Em apenas dois meses, a compra de combustível russo pelo Brasil mais que dobrou. Entre março e abril de 2026, o país importou um total de US$ 1,76 bilhão em diesel.
Desse montante, a Rússia foi responsável por impressionantes 81,25%, totalizando US$ 1,43 bilhão. Em segundo lugar, os Estados Unidos contribuíram com 6,42%, ou US$ 112,92 milhões. Ao analisar apenas o mês de abril, a dependência russa se acentua ainda mais, com o Brasil adquirindo US$ 924 milhões do país (89,84% do total) e US$ 104,44 milhões dos Estados Unidos (10,98%). O Reino Unido completa a lista com uma participação mínima de 0,001% (US$ 4.264).
O Impacto do Conflito no Oriente Médio
Antes do agravamento do conflito, o Oriente Médio era um fornecedor relevante. Em março, o Brasil ainda conseguiu importar diesel da região, graças a navios que haviam partido do Golfo Pérsico antes do início das hostilidades. Naquele mês, foram comprados US$ 111,89 milhões dos Emirados Árabes Unidos (15,7% do total importado em março) e US$ 99,23 milhões da Arábia Saudita (13,57%).
A suspensão das importações do Oriente Médio, decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de passagem de petróleo e gás natural do mundo, teve um impacto imediato e profundo. A dependência da Rússia, por exemplo, saltou de US$ 433,22 milhões em fevereiro para US$ 505,86 milhões em março, aproximando-se de US$ 1 bilhão em abril, evidenciando a rápida adaptação do mercado brasileiro.
Medidas Governamentais para Conter Preços
Diante do cenário de instabilidade e do potencial aumento nos preços do diesel, o governo brasileiro implementou uma série de medidas para proteger os consumidores. Em março, uma medida provisória concedeu R$ 10 bilhões em subsídios para a importação e comercialização do produto, visando absorver parte dos custos adicionais.
Adicionalmente, um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o combustível. Essa desoneração teve um impacto estimado de R$ 20 bilhões sobre a arrecadação federal, mas resultou em uma redução de R$ 0,32 por litro na refinaria. Somada à subvenção para produtores e importadores, a redução total no preço do diesel pode chegar a R$ 0,64 por litro. Segundo a equipe econômica, as perdas de receita foram compensadas pelo crescimento na arrecadação de royalties de petróleo, impulsionada pela alta na cotação do barril.
O Papel do ICMS e Subvenções Adicionais
Em abril, o governo federal lançou um programa para que os estados reduzissem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado, com o custo dividido entre estados e União. Apesar da prorrogação do prazo de adesão até a última terça-feira, 5 de maio, apenas Rondônia não aderiu ao acordo, o que gerou críticas do Ministério da Fazenda.
Essa medida visa reduzir o preço do litro do diesel em R$ 1,20 na bomba, com um custo estimado de R$ 4 bilhões em dois meses para os cofres públicos (inicialmente previsto em R$ 3 bilhões). No mesmo mês, foi anunciada uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com um custo mensal estimado de R$ 3 bilhões. Em todas as iniciativas, as empresas são obrigadas a comprovar o repasse das reduções ao consumidor final, garantindo que os benefícios cheguem à população.
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