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Brasil avança no Sudeste Asiático visando parceria plena com a Asean e novos mercados

Brasil avança no Sudeste Asiático visando parceria plena com a Asean e novos mercados

O Brasil intensifica sua presença diplomática e comercial no Sudeste Asiático, uma região de crescente importância estratégica para a política externa brasileira. O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, liderou uma comitiva em uma visita oficial à região, com objetivos claros: reabrir o mercado da Tailândia para a carne brasileira, que está fechado desde 2024, e consolidar o status de Parceiro de Diálogo Pleno junto à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Essa ofensiva diplomática reflete a busca brasileira por diversificação de parcerias e fortalecimento de laços com blocos econômicos emergentes. A Asean, composta por 11 nações, representa o quinto principal parceiro comercial do Brasil, superando em volume de negócios importantes economias globais e ficando atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.

A Estratégia Brasileira na Asean

Desde 2022, o Brasil detém o status de parceiro de diálogo setorial com a Asean, um passo inicial para uma cooperação mais aprofundada. A meta agora é alcançar o patamar de Parceiro de Diálogo Pleno, um status concedido a apenas 12 países ou blocos, nenhum deles da América Latina. Entre os parceiros plenos estão gigantes como Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia e China, além de Canadá, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e Nações Unidas.

A importância da Asean para o Brasil é inegável. O comércio bilateral com os países do bloco asiático experimentou um crescimento notável, multiplicando-se por dez entre 2003 e 2025, saltando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões. Essa expansão representa uma taxa média de crescimento anual de 12%, evidenciando o dinamismo e o potencial dessa relação comercial.

O Cenário Econômico e a Diversificação Comercial

Para o ministro Mauro Vieira, a projeção é que o volume de comércio entre o Brasil e a Asean supere o intercâmbio com os Estados Unidos e a Europa em um futuro próximo. Essa visão estratégica ganha ainda mais relevância no contexto dos esforços brasileiros para diversificar sua pauta comercial, especialmente diante das tensões protecionistas e das tarifas impostas por governos como o de Donald Trump.

Dados recentes reforçam essa perspectiva: entre 2023 e 2025, as exportações do Brasil para os cinco maiores mercados da Asean (Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia) atingiram a marca de US$ 68,5 bilhões. Esse valor é equivalente ao total exportado para cinco parceiros tradicionais do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França) no mesmo período. Mais significativo ainda é o superávit de US$ 36 bilhões que o Brasil registrou com os parceiros da Asean, contrastando com um déficit de US$ 36,6 bilhões no comércio com os países do G7.

A busca pelo status pleno na Asean é vista como um caminho para aprofundar ainda mais essas relações, abrindo portas para novas oportunidades de negócios e cooperação em diversas áreas. O governo brasileiro avalia que a aceitação pode ocorrer já na próxima cúpula da Asean, prevista para 10 a 12 de novembro nas Filipinas, ou a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assumirá a presidência do bloco.

Singapura: Um Hub Estratégico para o Brasil

A viagem do ministro Mauro Vieira teve início em Singapura, um país-chave para a estratégia brasileira na Ásia. O chanceler foi recebido pelo ministro de Relações Exteriores, Vivian Balakrishnan, e por representantes de cerca de 20 empresas dos dois países. Singapura se destaca como o segundo principal parceiro comercial do Brasil na Ásia, atrás apenas da China, e o primeiro na Asean.

Em 2025, o fluxo comercial entre Brasil e Singapura alcançou US$ 10,7 bilhões, um aumento de 23% em relação a 2024. Apesar de seu tamanho geográfico, comparável à cidade de Campinas (SP), Singapura possui um Produto Interno Bruto (PIB) robusto de US$ 603 bilhões, próximo ao da Argentina, segundo dados do Banco Mundial para 2025. Em uma conferência com líderes políticos e empresariais em Singapura, Vieira reiterou a defesa da inclusão do Brasil como parceiro pleno da Asean.

“Dos doze Parceiros de Diálogo da Associação, nenhum vem da América Latina, do Caribe ou da África. O Brasil está disposto e é capaz de preencher essa lacuna, com pleno respeito a uma decisão que cabe aos onze membros da Associação”, afirmou o ministro. Ele também enfatizou a postura brasileira de não escolher parceiros, mantendo-se aberto a todos os atores globais, e a convicção de que a América do Sul tem muito a ganhar com uma cooperação estreita com atores extrarregionais. Em agosto deste ano, a parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura foi iniciada, prometendo reforçar ainda mais os laços.

Tailândia: Reabertura de Mercado e Cooperação Ampla

Após Singapura, o ministro Vieira seguiu para a Tailândia, onde realizou uma visita oficial entre os dias 8 e 10 de setembro. Em Bangkok, reuniu-se com empresários e ministros de estado, incluindo o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow. O Itamaraty informou que a expectativa é aprofundar as relações em áreas como comércio e investimentos, ciência, tecnologia e inovação, e segurança alimentar.

Um dos pontos cruciais da agenda foi a cooperação no enfrentamento ao crime organizado internacional, que inclui tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas. O governo tailandês tem sido um parceiro importante, prestando apoio e mantendo diálogo na área consular, o que foi decisivo em diversas situações de resgate de trabalhadores brasileiros que, nos últimos meses, foram atraídos por promessas de empregos no Sudeste Asiático e acabaram sendo explorados em condições análogas à escravidão.

O ministro Mauro Vieira também publicou um artigo no jornal Bangkok Post, onde destacou o aprofundamento das relações entre os dois países, ressaltando que o Brasil é o principal parceiro da Tailândia na América Latina e Caribe. “Em um mundo marcado por tensões geopolíticas e pressões protecionistas, relações mais próximas entre a América Latina e o Sudeste Asiático podem ampliar nossa autonomia, apoiar nosso direito ao desenvolvimento e dar ao Sul Global uma voz mais forte”, escreveu o chanceler. Com uma população de mais de 71 milhões de habitantes, a Tailândia registrou um fluxo comercial de US$ 5,7 bilhões com o Brasil em 2025.

A jornada diplomática do Brasil no Sudeste Asiático sublinha uma estratégia de política externa proativa, buscando não apenas mercados, mas também alianças que reforcem a posição do país no cenário global. Acompanhe o Região 5 News para mais análises aprofundadas sobre os desdobramentos dessa e de outras notícias que impactam o Brasil e o mundo, com informação relevante, atual e contextualizada.

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